domingo, 11 de outubro de 2009

Resenha Crítica do Filme "A Experiência"

Filme: A Experiência (Das Experiment)

Resumo do Filme:

O filme conta à história de um grupo de homens que foi selecionado para participar de um experimento científico de observação comportamental.
No inicio do filme um repórter falido, em busca de uma boa história para salvar sua carreira se depara com o anúncio deste experimento e vai até o local indicado, chegando lá se depara com vários outros homens candidatos aos experimento.
Aparece então o pesquisador responsável pela experiência e explica aos participantes que o intuito da pesquisa é observar o comportamento do ser humano em situação de encarceramento, e observar como presos e guardas se comportam neste ambiente.
Após, as explicações do pesquisador são escolhidos dentre os participantes da pesquisa, aqueles que iriam fazer o papel de guardas e os que iriam fazer o papel de presos. Feita a escolha cada qual recebe um uniforme numerado com as características do papel a ser representado, uns de presos e outros de guardas.
Todos são levados a um ambiente que simula uma prisão, composta de celas, alojamentos de guardas, refeitório e local para exercícios físicos. Os grupos são, então divididos e os guardas assumem o comando dando ordens para que os presos se dirijam a suas celas.
No começo da simulação ambos guardas e presos estão levando o experimento para o lado da diversão, porém ao serem confrontados pelo pesquisador sobre a manutenção da ordem começam a levar o experimento a sério.
Dois personagens se destacam no filme por suas personalidade: um guarda que cria uma relação de poder (autoridade) com a imagem de guarda que este representa, e um preso, o jornalista, que em busca de uma boa história começa a querer criar confusões para melhorar sua reportagem. A questão principal do jornalista é o fato de ninguém sabia que ele estava fazendo uma reportagem, todos pensavam que ele era apenas um voluntário como todos os outros.
Diante destas circunstâncias a relação entre guardas e presos começa a se tornar tensa pois, de um lado os guardas tentam manter a ordem e de outros presos desobedecem.
Os dias vão passando e por fatores como encarceramento, tensão, rotina e outros tantos elementos estressantes compostos no ambiente experimental, iniciam-se as punições.
As punições começam, quando os guardas, perdendo o controle através apenas de palavras começam a usar métodos de humilhação e tortura, e estes fatos começam a gerar uma submissão maior por parte dos presos, porém, os guardas ao perceberem a capacidade que detinham de infringir punições e serem “respeitados”, iniciam uma série de torturas humilhações e suplícios para com os presos visando apenas à diversão.
Os presos por sua vez, se revoltam e a experiência foge ao controle.
Para que os pesquisadores não pudessem tomar medidas para impedir que alguém se ferisse gravemente os guardas tomam como reféns os pesquisadores.
Diante deste quadro os guardas abusam de sua vantagem de controle e infringem aos presos condições “desumanas”. Os presos ao perceberem que o que havia começado como uma experiência, tinha se tornado uma situação real de risco resolvem tentar escapar do lugar.
O desfecho do filme se da na situação em que os presos, conseguindo fugir, são perseguidos pelos guardas e um deles portava uma arma de fogo. Varias pessoas são mortas, tanto guardas como presos até que a polícia é chamada e a situação é resolvida.
Os pesquisadores e homicidas são presos e o jornalista escreve sua história.







Resenha Crítica:

Introdução:

O propósito do trabalho e realizar uma resenha crítica do filme, com intuito de analisar a violência e os elementos que a compõe. Esta analise será feita tomando por base o conteúdo exposto nas aulas da cadeira de Interdisciplinares III e conhecimentos das ciências de Psicologia, Sociologia e Direito.
A análise se iniciará dissecando-se cada elemento relacionado à violência, para após tentar explicá-los a luz das ciências citadas acima.
Tentar-se-a também, expor fatos ligados à violência dentro do cotidiano como forma de comparação com a violência do filme no intuito de melhor complementar as explanações. E por fim será realizada uma conclusão com o objetivo de entender melhor a violência e verificar se sua existência é ou não necessária nas sociedades.


Anatomia da Violência:

A violência exposta no filme possui múltiplas facetas, sendo elas, a psicológica, a física, o controle social, a situação da perda de liberdade e o caráter amoral dos personagens envolvidos.
Na violência psicológica, o exposto pelo filme retrata situações onde os presos tem de submeter a situações que contrariam sua vontade, seus princípios e suas regras internalizadas. Isto se caracteriza como violência psicológica pois não há dano físico a pessoa, apenas a dor psíquica causada por situações que contarias a aceitação da pessoa que as sofre. Já na violência física o filme mostra que ocorrem agressões que geram ferimentos ao corpo e que por conseqüência geram dor ao sujeito levando-o ao sofrimento, ao desconforto e, como é relatado no filme até a morte.
O controle social exercido pelos guardas no filme, mostra claramente uma forma de violência onde ocorre à desigualdade de forças, isto é, a caracterização de uma coação por parte de um poder dominante que não permite interação ou negociação para aquisição de direitos ou benefícios para a parte dominada. A perda de liberdade por parte dos presos reforça a violência da situação de controle pois, além de coibir qualquer possibilidade negociação impede também qualquer reação física que possa trazer benefícios à pessoa. Tem-se ainda no encarceramento, a dor psíquica de não poder usufruir da liberdade de ir e vir, fato que gera angústia, insatisfação e frustração nos presos do filme.
Por fim temos alguns elementos de caráter moral expostos no filme que retratam que alguns dos personagens do filme tomam atitudes amorais e que levam todos os elementos de violência a um nível ainda pior devido à geração de um sentimento de vingança e ódio que é criados por tais comportamentos destituídos de moral.
Sendo assim, pode-se observar a quantidade de elementos que envolvem a violência no filme; e deve se observar ainda que o filme expõe com muita perspicácia a soma de todos estes elementos no desencadear de situações que geram muitos prejuízos humanos e sociais. Pode-se cogitar então que se apenas houvesse um dos elementos talvez não houvesse tantos prejuízos, mas como separá-los como bem mostra o filme.


Pensando a Violência:

A violência, como já foi observado nos parágrafos antecedentes, tem muitas faces, e esta multiplicidade faz dela quase que um ente de vida própria. É como se a violência fosse intrínseca a condição humana, mas será que o é?
Para obter-se uma resposta a essa pergunta deve-se, antes tentar averiguar as origens da violência.
É sabido que desde os primórdios da historia do homem a violência estes presente em quase todos os seus feitos, um dado relevante que explica este fato é de que em toda a historia da humanidade teve-se apenas um ano em que não houve guerras acontecendo em algum lugar do planeta. Isso nos mostra que parece haver uma necessidade de violência associada ao desenvolvimento humano.
Pode parecer estranho, falar que o ser humano só se desenvolveu movido pela violência, porém se isso não fosse verdade, como teríamos sido a espécie dominante no planeta. Claro que alguns dirão que a inteligência nos fez a espécie dominante, porém o maior uso que fizemos da inteligência foi para dominar criando inúmeras formas de violência para caçar, conquistar, destruir recursos para construirmos nossa própria forma de viver e o mais importante, termos o domínio absoluto sobre todas as coisas que compõe o planeta.
Não se quer, com isso dizer que o ser humano é um destruidor, ou algo parecido, mas os fatos não deixam dúvidas de que a humanidade nunca reagiu de forma a adaptar-se as condições e sim de forma a dominá-la.
Estes dados remetem a outra pergunta, porque, então, luta-se tanto para combater a violência. O entendimento desta pergunta nos remete a analisar o porque de o ser humano querer tanto dominar tanto a si quanto a tudo que o rodeia.
A idéia de se prender alguém vem do fato de que tudo que não esta de acordo com a maioria deve ser contido, retirado, excluído. É assim que o ser humano reage frente “empecilhos do caminho”. Os exemplos são muitos; as doenças, vamos combatê-las, barreiras naturais, vamos transpô-las destruindo-as ou construindo em cima delas, escuridão vamos opô-la, luz, diferenças vamos igualá-las. Se o ser humano é assim como explicar então a idéia de que se deve combater a violência? A questão é óbvia, a própria violência humana o incomoda sendo assim sua intenção é eliminá-la. Isso é a redundância do ato violento contra a violência como fato.
Como sair então de tal armadilha?
O contrário da violência?
Qual é o contrário da violência? A paz? A não-violência?
A resposta para estes questionamentos nos leva a refletir sobre três pensadores que tentaram, cada qual a sua maneira achar uma solução para o problema.
Voltemos ao filme.
Hobbes, o primeiro pensador em questão deste trabalho, ao assistir o filme diria que a violência é intrínseca ao ser humano, que este é um ser violento por natureza, o que os fatos ocorridos no filme mostram claramente os aspectos de necessidade de poder, dominação e construção social através dominantes e dominados. Diria também que a obediência é fator que deve existir na sociedade pois deve haver que dite as regras e quem as obedeça, porém esta obediência deve ser respeitada pois se espera do governante que este cumpra seu papel no contrato de garantir sobrevivência dos “súditos”. A obediência dos presos só se deu até o ponto em que não haviam ameaças serias a vida, e que quando houveram houve também a rebelião. Isto é, só houve contrato social entre presos e guardas no filme até o ponto em que dominantes não respeitaram o contrato e ameaçaram a própria base do mesmo, a vida.
Locke, o segundo pensador em questão, ao assistir o filme diria que a ordem tem de existir na forma de um ente, quase com vida própria que determine as regras baseando seus princípios em liberdade, igualdade e respeito. Afirmaria que o que ocorreu no filme foi que esta ordem foi quebrada e que mesmo com uma lei regente esta lei foi desigual, injusta e causou danos aos “governados” e com isso o resultado foi à rebelião destes governados para tomar o poder.
Já Rousseau diria que o filme demonstra claramente que a o contexto social em questão representa a fuga do estado de natureza do ser humano e em assim sendo a frustração, a perda de liberdade e o sofrimento gerado por este fato leva a violência ocorrida no filme.
Após esta breve análise do pensamento destes três autores tentar-se-a responder se há realmente um contrário da violência em cada um dos três pensadores.
A impressão que Hobbes passa é que não há como não haver violência pois sempre haverá que discorde do fato de ser dominado, governado ou regido, sendo assim sempre haverá necessidade de força para conter os descontentes.
Locke, em sua idéia de “ente” de direitos, acima dos seres humanos, o qual todos devem respeitar também não mostra sinais de que é possível não haver violência, pois sempre haverá direito dos direitos e isso levará a insatisfação de alguns.
Rousseau, por sua vez com sua idéia de um direito interno, isto é, regras internalizadas; um estado de pureza humano, é o que mais se aproxima da possibilidade de conseguir obter êxito na exclusão da violência na sociedade, porém o fato de depender do comprometimento de cada ser humano para esta ocorrência torna distante este êxito.
Ambos os três propõe, cada um a sua forma uma tentativa de ordenar a vida em sociedade, Hobbes e Locke, através de regras externas e Rousseau através de regras internas, mas como fazer com as pessoas se comprometam a tais regras?


Regramento:

Quem rege o ser humano, senão o próprio ser humano.
A religião trás as regras morais, a lei as regras de conduta, a sociedade em convívio os costumes e a consciência o freio comportamental.
Todas estas instâncias regradoras do ser humano levam-no a uma obediência confusa, pois é como se ele agisse de acordo com o que esperam dele, de acordo com o que lhe tara maior benefício ou ainda com o que lhe causar menos mal.
O propósito das regras é dissipar os conflitos, e conseqüentemente a violência, mas mesmo com todas estas instâncias controladoras o ser humano ainda comete mais violência do que pode aceitar.
Se pegássemos um bolo para que fosse dividido entre dez pessoas e seguíssemos apenas nossos instintos de fome teríamos violência. Agora se pegássemos um bolo para ser dividido nas mesmas dez pessoas e incluíssemos a este instinto regras morais, leis, costumes e consciência será que teríamos violência?


Conclusão:

Acredito que mesmo com todas as regras internas e externas, “contratos sociais” e quaisquer outras formas ou tentativas de dissipar a violência, a mesma estará presente no ser humano até que este aprenda que o fato de querer ser servido ao invés de servir leva-o a não aceitar a possibilidade de um convívio harmonioso com outros seres humanos ou com qualquer coisa que lhe venha ao encontro.
Quando afirmo, servir, quero dizer que se você viver pelos outros e os outros por você o problema da violência acaba pois o seu desejo será satisfazer o outro e o desejo do outro satisfazer o seu, sendo assim como pode haver contradição de vontades, se não há a sua vontade mas sim à vontade de todos.

6 comentários:

estefanni disse...

Todas as tensões sofridas pelos participantes da experiência caracterizam um comportamento modelado de acordo com o estímulo dado,ou seja, princípio de estímulo e resposta,conhecido como condicionamento clássico (Behaviorismo).Bjus Estefanni Cellina

Anônimo disse...

Se o seu bolo (a ser dividido igualmente por 10 pessoas) não for suficiente para alimentar cinco, teremos violência.

Anônimo disse...

O filme sintetiza que a transformação de um indivíduo depende do poder que lhe é dado.
Eduardo Salvador da Silva.

Ganso disse...

"Ambos os três propõe (...)"
Cuidado com erros crassos como esse, sua análise pode acabar completamente descreditada por conta deles.

Juliana de Oliveira disse...

Seus argumentos foram bons. Porém, ficaram um pouco repetitivos. :)

Anônimo disse...

queria que fosse mais claro em relação a ética da ciência e a ética profissional em relação ao filme!!!